Domingo, 16 de Dezembro de 2018
Bem-vindo(a), faça o login ou cadastre-se.

8º Tabelião de Notas da Capital comemora 100 anos de muita história

Início
8º Tabelião de Notas da Capital comemora 100 anos de muita história

8º Tabelião de Notas da Capital comemora 100 anos de muita história publicada em 02/04/2012 fonte CNB-SP
 

“Servirá este livro para nelle serem lançadas as notas do 8º Tabellião da Capital. São Paulo, 02 de abril de 1912”.
O registro histórico assinado pelo juiz de Direito João Baptista Pinto e Silva e gravado à tinta preta na página agora amarelada do livro nº 1, indica muito mais do que as mudanças ortográficas pelas quais o País passou.
A relíquia mais antiga do 8º Tabelião de Notas testemunha que hoje o cartório administrado pelo Tabelião Douglas Eduardo Dualibi está em festa, comemorando 100 anos de prestação de serviço à comunidade paulista.
Na página seguinte, o registro das duas primeiras escrituras públicas lavradas, uma de quitação e a segunda de sublocação, datadas em 9 e 10 de abril respectivamente. Em homenagem ao centenário da serventia, as escrituras lavradas a partir de hoje ganham capas novas, com a inscrição do centenário em dourado. “É uma forma singela de homenagear o cartório, que já teve todos os livros restaurados, inclusive o primeiro”, conta o Tabelião, que encomendou também um bolo para dividir com os usuários que comparecem na serventia nesta segunda-feira (02.04).


Registro histórico: termo de abertura do Livro nº 01

“O sentimento que tenho é que estou plenamente satisfeito com o trabalho e a carreira que tenho aqui no cartório”, afirma o Tabelião. “E gostaria muito que uma de minhas três herdeiras escolhessem também seguir a carreira no Tabelionato”, diz Dualibi.
Para Dualibi, a história do cartório é parte da história da família, iniciada com o pai, Jamil Dualibi, que em 1973, assumiu o 8º Tabelionato, vindo da cidade de Tupã, onde era Oficial de Registro Civil desde 1935. Nascido em Penápolis, interior de São Paulo, Douglas Dualibi mudou-se para Tupã com três meses de idade e foi naturalmente integrado ao ambiente cartorário. “Sempre morei em fundo de cartório e com 12 anos de idade comecei a trabalhar na unidade, o que hoje não é mais permitido”, recorda Duailibi, que decidiu seguir a carreira do pai e foi nomeado Tabelião em 1987.

 

O Tabelião Douglas Dualibi com a filha, a substituta Fábia Dualibi Gantus e ao centro, a foto dos pais.

Inicialmente situado na rua São Bento, nº 315, o cartório passou por outros dois endereços até ser instalado na rua 15 de Novembro, nº 193, onde cerca de 100 funcionários atendem uma média diária de 600 pessoas, sem contar as diligências. O prédio próprio onde hoje está instalado possui oito pavimentos, cinco deles destinados ao público, foco das atenções no 8º Tabelião. “Sempre falo para os funcionários que a pessoa principal do cartório é o usuário. O nosso objetivo é a segurança e o atendimento perfeito, de preferência de forma célere”, afirma Dualibi, que acompanhou as mudanças da serventia bem como aquelas que afetaram a atividade notarial.
 

Entre todas elas, a que mais marcou o 8º Tabelião foi uma que interferiu no cotidiano dos escreventes e exigiu deles novas aptidões e cautela. “O advento do computador acabou alterando a forma de aprendizado dos futuros escreventes”, explica. “Quando não existia o computador, o funcionário era obrigado a escrever na máquina de datilografar ou mesmo à mão”, diz, salientando que o trabalho do escrevente era preparar um texto coeso, claro e bem feito. Hoje, o modelo de arquivo pronto no computador pode levar o escrevente mais desatento a cometer deslizes e até erros graves. “Se ele não for cuidadoso, vai deixar de colocar a frase no plural quando for necessário ou esquecer-se de mudar o artigo masculino para o feminino”, exemplifica.


Equipe do 8º Tabelião de Notas da Capital

O cartório e a vida das pessoas

Para o Tabelião Douglas Eduardo Dualibi, comemorar o centenário de funcionamento do Tabelionato é relembrar momentos importantes da história da cidade e do País. Uma das histórias que faz questão de contar é quando foi procurado pelo comandante Rolim Adolfo Amaro, da TAM, para lavrar uma escritura pública de garantias para a exportação de um modelo da aeronave bimotor Fokker F-50 da Holanda para o Brasil. “Eu me orgulho de ter participado ativamente da operação que marcou uma história da aviação brasileira”, conta o notário, que mantém na sua sala uma miniatura do Fokker 100.


O 2º substituto notarial Alfio Rossi (à esq.) e o Tabelião Douglas Dualibi

Atuando no 8º Tabelião desde setembro de 1969, o 2º substituto notarial Alfio Rossi (74 anos) também conta fragmentos da história do cartório que marcaram sua vida. Entre eles, a lavratura do inventário da família do ex-vice-presidente da República, José de Alencar. “Nossa profissão é ótima porque temos contato com todos os tipos de pessoas”, comenta. “Existe o pobre que compra um terreno pequeno lá no pé da serra e faz tanta festa igual ao rico que compra uma gaiola de ouro e ambos procuram o cartório para lavrar a escritura”, completa Rossio, que contou ainda a história de uma senhora humilde que havia comprado um terreno e corria o risco de perdê-lo por falta de regularização do loteamento.
“Eu fiquei compadecido e ajudei a regularizar o loteamento. Quando disseram que estava tudo pronto, no dia seguinte cheguei ao cartório e havia uma fila de quase 200 pessoas esperando para abrir o cartório”, conta.



Fachada do 8º Tabelião de Notas da Capital situado na Rua XV de Novembro, 193

 São histórias guardadas no cofre do cartório juntamente com parte da memória da cidade arquivada há exatos 100 anos no subsolo do 8º Tabelião de Notas da Capital.


 

 








Clique aqui para ver as fotos do 8º Tabelião de Notas da Capital.

Matéria extraída do site do Colégio Notarial do Brasil - Seção São Paulo
www.cnbsp.org.br

Copyright 2018 - 8º Tabelião de Notas da Capital